COMÉDIA ANTIGA

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COMÉDIA ANTIGA

Designação da comédia clássica, nascida em Atenas, e que esteve activa entre 486 e 404 a.C. . A distinção entre comédia antiga, comédia média e comédia nova deve-se aos académicos alexandrinos. A comédia antiga está associada primitivamente aos rituais sagrados, onde se dançava e cantava sob a inspiração de Diónisos. Não diferia muito, em termos estruturais, da tragédia. O esquema dramático típico é bastante simples: uma primeira parte que descreve a aventura rocambolesca e inverosímil de um herói que se encontra numa situação difícil; uma segunda parte que narra o êxito do herói perante os obstáculos enfrentados. Aristóteles atribui a origem da comédia aos "autores dos cantos fálicos ainda hoje [c.340 a.C.] em muitas cidades", embora seja pouco provável esta hipótese. Existiam outros tipos de komoi, cortejos rústicos, mais próximos da comédia antiga, que consistiam em festas cujos participantes se disfarçavam ou apenas passeavam com animais, considerados seus substitutos simbólicos. O komos é apenas um dos elementos que podem ajudar a explicar a origem da comédia. A representação das comédias antigas seguia o modelo da tragédia: actores masculinos com máscaras que lhes permitiam representar diversos papéis, incluindo os femininos. A indumentária da comédia era mais arrojada na diferenciação das personagens masculinas (portadoras de um phallus) e femininas (portadoras de seios simulados). As máscaras eram determinantes para reconhecer as figuras satirizadas.

As primeiras comédias conhecidas são as de Epicarmo (sécs.VI-V). O primeiro grande comediógrafo foi Aristófanes, autor de As Rãs, As Aves, As Vespas e As Nuvens. As suas peças são ainda de composição mal estruturada, sem um enredo coerente, sobrepondo vários sketches sem ligação à intriga central. É um tipo de comédia ainda influenciada pela tradição dos "mimos", representações inspiradas na vida real, embora não seja em si mesma um "mimo", a imitação duma acção definida. Teremos de esperar pela comédia nova, no final do século IV a.C., para que tal venha a acontecer. A comédia antiga desenvolve-se numa Atenas totalmente politicizada, onde o comediógrafo é obrigado a reconhecer publicamente o favor e a protecção dos melhores cidadãos atenienses; a comédia nova terá um contexto diferente: Atenas é já uma cidade aburguesada, que privilegia não os assuntos de estado mas as intrigas privadas e íntimas.

A comédia antiga implica a existência de várias partes obrigatórias. De comum com a tragédia, encontramos um párodos, a entrada do coro, e um éxodos, a saída final do coro. Tinha como elementos obrigatórios: o prólogo (o esboço da situação ou do problema central, incluindo propostas fantasiosas de solução; o párodos (o primeiro canto do coro, momento que ficou célebre nas peças de Aristófanes, por exemplo, em As Aves, que abre com o grito da poupa); uma vez na orchestra, o coro inicia o que se chama o agón (o conflito ou debate, entre o actor principal, ou protagnistés, protagonista, e o coro); a parábasis (quando o coro avança para o público e o poeta fala ao público pela boca do corifeu, geralmente queixando-se penosamente, terminando com uma longa frase, pronunciada de um só fôlego e que, por esta razão, se chamava pnigos, "o sufocador"; após o pnigos, vinha uma estrofe cantada, a que se seguia novo discurso do corifeu, acompanhado por uma dança coral; a parábasis terminava com uma repetição da estrofe (ou antístrofe); a última parte da peça era uma sequência de cenas encadeadas arbitrariamente, até à saída do coro, numa situação quase sempre caricata.

Bibliografia

Albin Lesky: História da Literatura Grega (Lisboa, 1995); António Freire: O Teatro Antigo (1985); Francisco de Oliveira e Maria de Fátima Silva: O Teatro de Aristófanes (1991); Elder Olson: The Theory of Comedy (1968); K. J. Dover: Aristophanic Comedy (1972); K. Mc Leish: The Theatre of Aristophanes (1980); K. Reckford: Aristophanes’s Old-and-new Comedy (1987); Maurice Charney: Comedy High and Low (1978); M. Corvin: Lire la comédie (1994); M. F. Sousa Silva: Crítica do Teatro na Comédia Antiga (1987); Paul Lauter (ed.): Theories of Comedy (1964); Pierre Grimal: O Teatro Antigo (Lisboa, 1986).