ARBITRARIEDADE (DO SIGNO)

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ARBITRARIEDADE (DO SIGNO)

Na linguística saussuriana, diz-se que a relação que une o significado ao significante é marcada pela arbitrariedade. De forma geral, pode-se dizer que o signo linguístico é arbitrário porque é sempre uma convenção reconhecida pelos falantes de uma língua. Por exemplo, a ideia de garrafa e o seu significante [g a R a f a ] mostra que existe arbitrariedade na relação significado/significante, porque em outras línguas o registo fonético é diferente para o mesmo significado (bottle, em inglês, ou bouteille, em francês). Quer dizer, não existe uma relação natural entre a realidade fonética de um signo linguístico e o seu significado.

Ainda na teoria saussuriana, consideram-se dois tipos de arbitrariedade: a absoluta e a relativa, para dizer, respectivamente, a imotivação total do signo (tomado isoladamente) e a motivação relativa, de que são exemplo os derivados (pereira remete-nos para a palavra original pêra, mas o seu sufixo -eira lembra-nos outros signos semelhantes como bananeira ou macieira).

A arbitrariedade do signo linguístico tem sido objecto, neste século XX, de grande discussão. Em “La linguistique en France” (Journal de psychologie normale et pathologique, 33, 25, 1937), E. Pinchon chama a atenção para que a realidade fonética do signo não é diferente nem existe independentemente do significado, pelo que conclui que tal relação é necessária e não arbitrária. Em Problèmes de linguistique générale (1966), Emile Benveniste argumenta que o vínculo entre significado e significante não é arbitrário mas necessário, porque as duas realidades do signo são indissociáveis. Jacques Derrida pronunciou-se também criticamente em relação ao modelo saussuriano: “A tese do arbitrário do signo (….) deveria proibir a distinção radical entre signo linguístico e signo gráfico. Sem dúvida, esta tese refere-se somente, no interior de uma relação pretensamente natural entre a voz e o sentido em geral, entre a ordem dos significantes fónicos e o conteúdo dos significados (…), à Necessidade das relações entre significantes e significados determinados. Somente estas últimas relações seriam regidas pelo arbitrário. No interior da relação ‘natural’ entre os significantes fónicos e seus significados em geral, a relação entre cada significante determinado e cada significado determinado seria ‘arbitrária’. Ora, a partir do momento em que se considera a totalidade dos signos determinados, falados e a fortiori escritos, como instituições imotivadas, dever-se-ia excluir toda a relação de subordinação natural, toda a hierarquia natural entre significantes ou ordem de significantes.” (Gramatologia, trad. de Miriam Schnaiderman e Renato J. Ribeiro, Ed. Perspectiva, São Paulo, 1973, pp.53-54).