CRÍTICA FILOLÓGICA

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CRÍTICA FILOLÓGICA

Tipo de crítica literária ligado aos estudos linguísticos, analisando em particular os aspectos formais dos registos escritos. Por se ocupar da análise formal de fontes escritas, a crítica filológica combina-se com a epigrafia e a paleografia. Por se ocupar ainda da fixação correcta de um texto literário, está também relacionada com a crítica textual, disciplina de que também é sinónima. Finalmente, a hermenêutica antiga, apoiada no estudo das fontes bíblicas, depende sobremaneira do estudo filológico dos textos sagrados, pelo que as duas disciplinas se complementam.

Os primeiros campos de análise da crítica filológica incluíram o conjunto das línguas bíblicas, como o hebraico do Velho Testamento ou o grego helenístico do Novo Testamento (século I d.C.), por exemplo. Também a literatura grega antiga mereceu interesse particular da crítica filológica , que conheceu particular desenvolvimento na Escola helenística de Alexandria, destancando-se um grupo de gramáticos do século III ªC. como Aristófanes de Bizâncio, Aristarco e Zenódoto, que se dedicaram ao estudo dos textos dos primeiros poetas, sobretudo Homero e Hesíodo. Na Roma antiga, Varrão introduziu novo método filológico em De lingua latina (século I ªC.) que influenciará os gramáticos posteriores. Após a afirmação do Cristianismo, os estudos filológicos incidiram sobretudo na análise dos clássicos, o que foi feito pelos filólogos bizantinos do século VIII, como Fócio, até ao século XII, como Eustácio. No final da Renascença italiana, surgem aí os sábios bizantinos que tentam as primeiras edições (sem ainda rigor crítico) dos textos gregos e latinos. Só a partir do século XVI podemos dizer que se introduzem na crítica filológica regras precisas de análise para o estudo dos textos antigos. Falamos a partir de aqui de apparatus criticus, que concede ao texto original credibilidade científica.

A chamada Escola de Praga, representativa do estruturalismo checo, ficou conhecida pelos seus trabalhos filológicos. Trubetskoy e os seus seguidores não aceitaram a teoria americana do fonema como a unidade mínima de significação, preferindo analisar tais unidades em termos de séries de traços distintivos. Cada fonema é estudado em função das suas características articulatórias e daquilo que o distingue de todos os outros na linguagem. Assim, por exemplo, /p/ e /b/ distinguem-se dos restantes porque são labiais; /f/ e /v/, porque são fricativos; /m/ e /n/, porque são nasais. Jakobson associou este princípio básico de dualidades às funções cognitivas da linguagem, base de trabalho da chamada fonologia generativa.

Bibliografia

A. Blecua: Manual de crítica textual (Madrid, 1983); J. Vachek: A Prague School Reader in Linguistics (1964); Paul Garvin (ed.): A Prague School Reader on Esthetics, Literary Structure and Style (1955); V. Branca e J. Starobinski: La filologia e la critica letteraria (Milão, 1977).